5.22.2006

Ressaca de ti


Aquele copo ali na mesa que enche e se esgota em ti.
Gosto dele.

Bebe-me mais um pouco.

Aquele teu andar que encurta as distâncias e te faz misturar o teu lugar com o meu.
Gosto dele.

Bebe-me mais um pouco.

Aquele teu braço que faz a tua mão aproximar-se dele e aproxima a tua boca de mim.
Gosto dele.

Bebe-me mais um pouco nesse arriscado copo.

Bendita assombrosa lucidez do álcool.
Que te faz querer-me como eu te quero em água.

27 Comments:

At segunda-feira, 22 maio, 2006, Blogger Joao de Portugal said...

GOSTO. e gosto mt do ritmo do bebe-me mais um pouco a semelhança dos copos que vão sendo bebidos. GOSTO MT. p/quando uma publicação?:P bjoka

P.S. não passo sem o teu blog. várias vezes por dia. tipo medicamento.

 
At segunda-feira, 22 maio, 2006, Blogger Luisa Santos said...

Apaixonante, como sempre. "Bendita assombrosa lucidez do álcool. Que te faz querer-me como eu te quero em água." - lindo, mana :-) Os teus princípios e fins são sempre incriveís. Prendes no início e deixas o final com vontade de continuar. A ser "bebido" (stole your words, sis :D ). Lindo mana :-)

 
At segunda-feira, 22 maio, 2006, Anonymous Ganesha (sl) said...

Certo dia Ganesha, o deus-elefante hindu, disputou com o seu irmão Kartikeya uma corrida em torno do universo. O irmão pôs-se em marcha em cima do seu pavão, demorando anos a chegar. Ganesha caminhou apenas em torno dos seus pais - Shiva e Parvati - e ganhou o concurso. O que é, afinal, o universo senão o centro de nós mesmos, o que nos dá a força, a vida, a sabedoria?

Dia após dia, sinto-me como aquele rapaz da exposição de Colbert, ajoelhado junto do elefante, como que orando a Ganesha. Saboreio-me bebendo-te em mim desse copo que nunca provei, lendo as palavras que deixas, essas escadas para os teus sonhos que, para mim, são ainda caminhos para me alcançar. E, no fim de cada dia, posso embrulhar-me em mim e sentir que caminhando à tua volta percorri todo o universo.

 
At terça-feira, 23 maio, 2006, Anonymous R. said...

O melhor da sangria e do vinho "escuro" é o torpor que se lhe segue, quando saimos do restaurante, e a sensação de poder deixar-me cair em ti e esquecer tudo aquilo em que pensava antes.

 
At terça-feira, 23 maio, 2006, Blogger carolina said...

"Bendita assombrosa lucidez do álcool", que me faz mostrar o quanto te quero a ti,ao mundo e à (e na) ressaca...
Maldito álcool, maltido travo, e maltida vontade de te beber...

 
At terça-feira, 23 maio, 2006, Anonymous JIM said...

Faz mais ou menos três semanas que não te via. Quer dizer, via as palavras que vais escrevendo mas, por mais que tentasse, não te estava a conseguir encontrar. Procurava nas entrelinhas, sítio onde tu te costumas esconder com bastante habilidade, e nada. Hoje estou contente. É bom ter-te de volta. Gosto de te ler assim.

 
At terça-feira, 23 maio, 2006, Blogger Zofia said...

Olá R.
Eu comparo esse copo arriscado à vassoura que usamos para esconder o pó debaixo do tapete. O pó continua lá. Ou o inspiramos ou o aspiramos. Mas alguma coisa temos de fazer. ;) Beijos.

 
At terça-feira, 23 maio, 2006, Blogger Zofia said...

Carolina, és nova aqui no blog? :)
De qualquer modo, bem vinda. :)
O Amor, a paixão deixam-nos agarradas, e ressacadas...
Mas ao contrário dos outros vícios, dão-nos anos de vida. ;)
Beijinhos.

 
At terça-feira, 23 maio, 2006, Blogger Zofia said...

Olá (sl), aquele teu último parágrafo está sublime.
Gostava de ler mais coisas tuas.
Beijinho. :)

 
At terça-feira, 23 maio, 2006, Blogger Zofia said...

Jim, Jim. Andei uns dias longe ;) mas já voltei.
Gosto que me leias. Beijo bem grande.

 
At terça-feira, 23 maio, 2006, Blogger Zofia said...

Luisa, Louie, Louie :)
És sempre das primeiras a ler o que eu escrevo. E espero que seja sempre assim. :) Muitos beijos, mana. ;)

 
At terça-feira, 23 maio, 2006, Blogger Zofia said...

João de Portugal :)
Ou não tens mais nada que ler mesmo, ou és um exagerado. :P
Preparado para o Mundial?
Beijo. :)

 
At terça-feira, 23 maio, 2006, Blogger ? said...

querida Zofia,

Li várias vezes antes de comentar. Li de várias formas,
li com vários sentimentos.
senti as várias sensações.

Não fui impulsivo, e provei o sabor de cada frase ritmada.

Muito obrigado. está muito muito interessante.

 
At terça-feira, 23 maio, 2006, Blogger Sininho said...

É a minha bébé!!!!!

 
At terça-feira, 23 maio, 2006, Anonymous metamorfose said...

ele só te quer quando está ébrio?

 
At terça-feira, 23 maio, 2006, Anonymous metamorfose said...

o que é que o rapaz da foto está a fazer ?

 
At quarta-feira, 24 maio, 2006, Blogger Zofia said...

? Obrigada. Muitos beijos. :)

 
At quarta-feira, 24 maio, 2006, Blogger Zofia said...

Meta, isto é só um poema. :) E eu posso ver uma coisa na imagem e tu outra. ;) Isso é que tem piada. Beijinho. :) Eu vejo-o a tentar levantar voo, ainda que em desequilibrio. E tu?

 
At quarta-feira, 24 maio, 2006, Blogger Zofia said...

Sininho, tenho tantas saudades tuas amiga. Volta para Portugal. Beijinho grande.

 
At quarta-feira, 24 maio, 2006, Anonymous metamorfose said...

Eu sei que podemos ver coisas diferentes. Se perguntei o que ele está a fazer foi porque quis saber o que tu achavas que ele estava a fazer. Uma vez que foste tu quem o pos lá, acho que a tua opinião é importante para a compreensão do poema; ou tu escreves para deixar os teus leitores entregues a uma alegre deriva de subjectividade contemplativa ??(inventei agora esta expressão, está brilhante). Pois eu vejo o a equilibrar-se também; quanto ao levantar voo já não sei.
Já agora, obrigado por me avisares que é só um poema, por momentos pensei que fosse alguma crónica da vida real. Sarcasmos à parte, isso foi a tua maneira de não responder à minha primeira pergunta?

Ps: acho engraçado chamares me meta, quando sou apenas uma metamorfose :)

 
At quarta-feira, 24 maio, 2006, Blogger Zofia said...

Meta é o nome carinhoso. Deve ser lido Méta.
Ele só te quer quando está ébrio? - Perguntas tu.
Eu respondo: Dado que isto é um poema terei de falar pela miúda do poema. Sim, parece que ela se queixa (sem se queixar) de que ele deixa tudo fluir mais facilmente, quando bebe o líquido mágico. Quando a mim, digo-te novamente, é só um poema. :)
Quanto à tua segunda pergunta, eu vejo-o a tentar levantar voo. Em desequilíbrio. Li em algum lado que entre um e um outro passo, existe um desequilíbrio, mas só assim se caminha. Está giro, não está?
Beijinhos, meta.

 
At quarta-feira, 24 maio, 2006, Anonymous metamorfose said...

uma variação é isso mesmo, um desequilíbrio, algo que nos leva do ponto A ao ponto B, matematicamente falando ;) está giro sim sra !
voltando ao rapaz do poema, é normal que assim aconteça.Esse líquido mágico foi inventado para drogar as pessoas deixando-as mais à vontade. Deixo te a reflectir sobre um ditado muito popular na terra de onde venho: "as palavras de um bêbado são os pensamentos de um sóbrio".

ps: engraçado dizeres que "é só um poema" quando um poema pode ser tanta coisa....uma poeta como tu deve sabê-lo.

 
At quarta-feira, 24 maio, 2006, Blogger Zofia said...

Ps: E eu sei, meta. ;)
Muitos beijinhos.
Obrigada.

 
At quarta-feira, 24 maio, 2006, Anonymous pescasvoltoudafaina said...

nas noites duras passadas no mar do Alaska o que não faltava era líquidos mágicos...só não havia era nenhuma mulher, dizem que dá azar levá-las a bordo ;)

POETA: o que tem inspiração poética ou carácter idealista;
sonhador;
o que traduz em verso o sentimento do belo.

isto foi tirado de um dos dicionarios que havia a bordo..achei que ficava bonito aqui.
bjos

 
At quinta-feira, 25 maio, 2006, Blogger Zofia said...

Pescas voltou da faina,
Seja muito bem vindo de volta.
Suponho que te tenhas alimentado bem de óleo de foca e carne salgada e como diz um escritor brilhante, tenhas gostado da experiencia das estalactites de gelo suspensas das orelhas. :)

 
At quinta-feira, 25 maio, 2006, Anonymous pescas do alaska said...

carne salgada nao havia mas fartei me de beber oleo de foca.
desculpa a minha ignorancia, mas que experiencia eh essa de que falas , hein? estalactites nas orelhas ?

 
At sexta-feira, 26 maio, 2006, Blogger Zofia said...

Lobo Antunes escreveu numa das suas crónicas:
Quando o coração se fecha faz muito mais barulho do que uma porta.

 

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