2.21.2006

Brilhas

Lá bem no canto do teu olho vejo uma gota que cai docemente.
Desprezo a tua pupila e acompanho a tua dor que me prende o olhar.
Sobre a minha cara a tua água fez-se torrente.

Em pequenas lâminas sinto o meu corpo alagar-se em riscos.
Os mesmos que desciam dos teus olhos há segundos atrás.

É no escuro que mais te vejo a brilhar.
É no encoberto que os teus contornos mais se anunciam.
E o brilho canalizado pelos faróis do teu rosto parte de ti iluminando todos.

Dizes-me calada que posso ficar.
E no teu porto dá-se o nascimento do meu brilho.

Nas margens do teu rio a minha dor afoga-se.
E toda a dor do mundo se apaga no brilho de duas espadas que unidas se perdoam.

6 Comments:

At terça-feira, 21 fevereiro, 2006, Anonymous Anónimo said...

BRILHANTE ;)


MV.

 
At terça-feira, 21 fevereiro, 2006, Blogger Joao de Portugal said...

Achei lindo Zofia. grande poema. gostei especialmente do final....que bom seria que os males do mundo desaparecessem com o teu brilho....(q não conheço).
:)

 
At quarta-feira, 22 fevereiro, 2006, Blogger Zofia said...

Eu só brilho quando páro o carro na estrada e saio dele usando aquele belo colete verde.

 
At quarta-feira, 22 fevereiro, 2006, Blogger Caroço said...

Gosto, muito..

 
At quarta-feira, 22 fevereiro, 2006, Anonymous joão said...

BRILHO ESCURO ?

No canto dos teus olhos, vejo um brilho fascinante e infame,
mais brilhante que cem estrelas,
mais irresistível que mil buracos negros,
que me transporta para longe,
que me faz perder o ar.
Vejo quem és, vejo quem sou e o que queria ser,
vejo a novela, o filme e a reportagem, vejo-te a ti e vejo-me a mim,
vejo-nos a nós e vejo-os aos outros.

Vejo o que vejo e vejo o que quero ver,
vejo o que não tenho e o quanto o queria ter.
Vejo a Primavera da esperança, o Verão do sonho e o Inverno da realidade.

No canto dos teus olhos, perco-me;
É lá que me podem encontrar.
Na imensidão do teu olhar, naufrago,
nas profundezas dos teus olhos, soçobro.
E ninguém me pode salvar.

--------//---------

Nem tudo o que brilha é ouro.
Nem todas as luzes nos salvam, algumas há que nos atraem para os rochedos ou nos cegam.

 
At quarta-feira, 22 fevereiro, 2006, Blogger Zofia said...

Cito-te. Nem todas as luzes nos salvam, algumas há que nos atraem para os rochedos ou nos cegam.

Gostei muito disto.
Beijos.

 

Enviar um comentário

<< Home