1.25.2006

Um pedaço de ti


Tenho um pedaço de ti aqui. E aponto para dentro do meu peito, Amor.
Escrevo aqui nestas linhas nostálgicas o lugar no meu corpo onde mais te guardo em mim. Porque te guardo em todo o lado, em mim. Em mim, em mim.
Tenho um pedacinho de ti aqui. E aponto para o lado direito da minha testa, Amor.
Porque te guardo também em memórias. Ainda que partidas. Por metades.
Porque sem ti vejo as coisas assim e sinto só uma parte.
Uma parte dos teus cabelos na almofada que divides comigo sem te separares de mim. Ou um fragmento de um sentimento que deixo correr solto no campo confiando que corra para ti. Um segmento apenas das curvas do teu corpo e do suor que vejo escorrer em nós quando casamos as nossas metades. Um bocado de saliva tua dentro da minha boca. Uma metade do teu olhar quando olhas para mim a rir.
Uma parcela de desassossego meu.
Um trecho de um atrevimento teu.
Um estilhaço de uma paixão nossa.
Um excerto de uma intuição minha.
Um recorte de um pressentimento meu.
Um corte de um movimento teu.
Um retalho de mim sem ti.
Porque canto metade das melodias que me entoaste. E vou só até a meio do caminho. Lembro-me de metade das nossas conversas. De metade das flores dos lugares. De metade dos cheiros e das cores e dos sons de todas as metades dos lugares.
Recordo-me de metade da minha vida.
Relembro-me de metade de mim.
Porque só tenho um pedaço de ti.
E sou só um pedaço de mim.

15 Comments:

At quarta-feira, 25 janeiro, 2006, Blogger Caroço said...

speachless....

 
At quarta-feira, 25 janeiro, 2006, Anonymous Anónimo said...

muito bonito.quase me comoves!!

 
At quarta-feira, 25 janeiro, 2006, Anonymous Ana Caeiro said...

Levaste um pedaço de mim. Pediste. Tiraste antes de ouvires resposta. Deste-me um pedaço teu. Disseste-me que podía escolher o pedaço. Não quis. Não quero. Os teus pedaços. Um só pedaço. Não quero. Não consigo. Mas deixaste. Sem eu aceitar. Sem consentir. O que faço com este pedaço de ti?

 
At quarta-feira, 25 janeiro, 2006, Anonymous ana Caeiro said...

com este pedaço de ti, regresso. aos lugares improváveis. distantes. só. com um pedaço de ti. a neve que senti. as lágrimas que limpaste. de nada serviram. momentos. fragmentos de momentos. assim os vejo. o que fazes com o meu pedaço? nesse lugar que desconheço? conheço-o pela tua descriçao. o oceano de um azul mais profundo. o teu oceano. memórias. fazem sorrir. chorar. sorrir de novo. eis o que faço com este pedaço de ti. sorrio. regresso. e parto.

 
At quinta-feira, 26 janeiro, 2006, Blogger JM said...

great stuff... :)

 
At quinta-feira, 26 janeiro, 2006, Anonymous Anónimo said...

Não me é habitual encontrar alguém com a tua sensibilidade e a capacidade de a transpôr para a escrita de forma tão feliz.
Adorei.
J

 
At quinta-feira, 26 janeiro, 2006, Anonymous Mestre André said...

sinto isso agora como ninguém
olho o que fora o nosso leito
sinto o vazio no meu peito
o nosso, agora é de alguém
contra às melhores preces
a minha memória não esquece
algo que já fora perfeito

 
At quinta-feira, 26 janeiro, 2006, Anonymous Meste André said...

Disponivel nas casas de banho proximas de si.

(comic relief ;-P)

 
At quinta-feira, 26 janeiro, 2006, Blogger Zofia said...

Amiga, curto muito as desgarradas. Vou ter de pegar nesse teu texto e escrever outro post. Merece. Gosto muito do que escreves. Só tenho amigos poetas. Deixo aqui a publicidade ao blog do Mauro, Espinhas Literárias. E o teu, o Lua Amarela. Só publicidade... (as reticencias para o Joao, com um beijinho).

 
At quinta-feira, 26 janeiro, 2006, Anonymous Ana caeiro said...

obrigada amiga, tb adoro o q escreves, e curto mto pegar no que escreves. eu sou mais dos bonecos do que das letras mas sofro de incontinência a falar e a escrever, o que hei-de fazer? - que expressão bonita, da autoria do meu querido David (ninguém é perfeito).

 
At quinta-feira, 26 janeiro, 2006, Blogger Zofia said...

Obrigada Jay. Beijinhos.

 
At quinta-feira, 26 janeiro, 2006, Blogger Mak, o Mau said...

Eu sou bruto (como as pedras preciosas), por isso é melhor estar calado, a ver se a malta com veia poética me deixa assistir...

 
At quarta-feira, 01 fevereiro, 2006, Blogger costeaujacques said...

METADE


E que a força do medo que tenho, não me impessa de ver o que anseio.
Que a morte de tudo o que acredito não me tape os ouvidos nem a boca
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.

Que a música que eu ouço ao longe, seja linda, ainda que tristeza

Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada mesmo que distante
Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece, nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas, como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço, mas a outra metade é o que calo

Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tenção que me corroe por dentro seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão

Que o medo da solidão se afaste, que convive comigo mesmo, se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto, um doce sorriso, que me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço

Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer
Porque metade de mim é a platéia, e a outra metade é canção

E que a minha loucura seja perdoada,
Porque metade de mim é amor, e a outra metade...
também.

poesia de oswaldo montenegro

 
At sexta-feira, 10 fevereiro, 2006, Blogger Zofia said...

Porque metade de mim é a lembranca do que fui, e a outra metade eu nao sei.

 
At domingo, 22 março, 2009, Blogger malu said...

adorei... vou partilhar com os devidos créditos...

felicidades, para esses pedaços, mesmo que nunca possam ser vividos senão em separado...

 

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